O nome "operação impensável" foi dado a um plano de ataque surpresa à União Soviética elaborado por Winston Churchill durante a Guerra Fria, e escolhido pela autora para seu livro devido aos diversos paralelos que esta faz entre a Guerra Fria e a história do seu próprio casamento. Lia, a narradora em primeira pessoa, é uma historiadora, casada, que vive um relacionamento às vezes até meio infantil com seu marido, e que conta sua história já sabendo o seu final (que não foi nada, nada amigável), enquanto conta também a história da operação que nomeou o livro.
Apesar de ser intitulada uma história de ficção, hoje já é sabido que Lia é Vanessa, e que os acontecimentos ali narrados são fatos. Claro que, depois que sabemos o real caráter e as reais intenções das pessoas, é fácil identificar sinais de alerta que pareciam estar escondidos enquanto se vivia o relacionamento. Eu entendo a dinâmica de um relacionamento abusivo, pois também já passei por um e, inclusive, também já escrevi um livro sobre isso. Obviamente a autora não sabia, ou não tinha as ferramentas para identificar, que estava casada com o lixão podre radioativo que o marido dela escancarou ser no final. E eu sempre acho que nunca é demais nós contarmos nossas histórias, para que cada vez menos mulheres em situação de fragilidade e vulnerabilidade sejam presas nessa teia de manipulação mental e emocional.
Mas eu tive dois problemas com esse livro.
O primeiro é que, até a metade do livro, a história contemporânea do casal é contada numa estrutura pouco convencional, por vezes em tópicos, em mini-diários do relacionamento, detalhando conversas e brincadeirinhas internas tão bobas, que eu não consegui achar fofo, nem me identificar. Não que eu seja um poço de maturidade, mas, vamos combinar que piadas internas só tem graça para as pessoas envolvidas? Então, a primeira metade do livro é um pouco chata e vergonha alheia, simplesmente pelo fato de não fazermos parte daquela dinâmica, só estarmos assistindo alguns trechos isolados.
O primeiro é que, até a metade do livro, a história contemporânea do casal é contada numa estrutura pouco convencional, por vezes em tópicos, em mini-diários do relacionamento, detalhando conversas e brincadeirinhas internas tão bobas, que eu não consegui achar fofo, nem me identificar. Não que eu seja um poço de maturidade, mas, vamos combinar que piadas internas só tem graça para as pessoas envolvidas? Então, a primeira metade do livro é um pouco chata e vergonha alheia, simplesmente pelo fato de não fazermos parte daquela dinâmica, só estarmos assistindo alguns trechos isolados.
O segundo problema é que eu não sou muito fã de história, então eu acho que não era bem o público alvo. Apesar de admirar o conhecimento e inteligência necessários para escrever os trechos históricos, eu achei essas partes do livro chatíssimas. Chatíssimas.
Apenas da metade do livro para o final que a história engrena: Lia começa a descobrir todas as picaretagens do marido e se rebelar contra ele e todo o sistema onde está inserida, que insiste em finger que não entende a gravidade de tudo, se manter de fora ou, até mesmo, culpá-la pelo que ela passa, aí a leitura flui melhor.

Nossa, assino embaixo sobre a 'vergonha alheia'. Às vezes a gente lê essas conversas íntimas de casal em livro e parece que tá sobrando na mesa do jantar, né? Fica um tom infantil que cansa mesmo. Eu só não desisti porque queria ver o circo pegar fogo na segunda metade, e o 'lixão radioativo' (amei o termo!) realmente entregou o que prometeu. Mas concordo: a parte histórica podia ter sido bem mais enxuta.
ResponderExcluirwww.postliteral.com.br