quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O Homem Bicentenário - Issac Asimov

 

O Homem Bicentenário é um clássico da ficção científica. Não sou um estudioso da humanidade, então peguem leve especialistas.  

Tenho conhecimento da obra de Asimov, mais pela repercussão nas artes do que pela leitura de fato. Conhecia a história antes do filme e mesmo assim não sabia a fundo como ela ocorria em suas páginas. Devo dizer que esperava que fosse mais profunda do que o filme.  

Não o é, mas isso também não diminui o livro, pelo contrário. Acho que valoriza o fato de termos uma leitura rápida, uma história que entrega de forma objetiva sua proposta, sem aprofundar com grandes tecnicalidades. Tudo o que esperamos que esteja presente, no final, está.  

O Homem Bicentenário é um conto em que o importante é questionarmos o que é ser um humano, o que nos faz sermos essa espécie e ao mesmo tempo nos questiona sobre até que ponto a mudança física pode nos afastar ou nos aproximar.  

A história toda é sobre um robô criado-mordomo-dama de companhia. O típico robô que faz tudo em casa. Na história, ele é um dos primeiros, uma linha em testes e cai numa família, digamos, diferente...  

A família em si não espera muito desse robô. Com duas garotas pequenas, o robô passa a maior parte do tempo como babá. O apreço e o carinho das crianças com o robô e a forma despretensiosa com que os pais das garotas o tratam são o terreno perfeito para o desenvolvimento ou falha na programação. Até um nome eles o dão, Andrew.  

O fato é que Andrew passa a desenvolver alguma personalidade e características únicas, o interesse em atividades não previstas na sua programação. Essas atitudes são incentivadas pelo dono, que fica curioso até onde pode ir esse desenvolvimento, aliás a família toda apoia as ações de Andrew.  

Andrew vai se desenvolvendo como indivíduo, crescem os elementos que passam a torná-lo ainda mais único entre os seus e ele vai construindo o desejo de ser mais parecido com seus criadores. Nesse momento, se a história fosse criada nos dias atuais, eu diria que poderíamos migrar para um grande filme de terror. Não é o caso e me passa uma sensação de como tínhamos uma visão mais positiva antes.

É curioso que em algum momento Andrew deseja sua liberdade e mais interessante como seu dono se sente ao ouvir tal pedido. Afinal, porque ele precisa disso se já é tratado como um membro da família? Essa pega forte, né... Mesmo que inicialmente a contragosto, o patriarca colabora com Andrew e vemos que ele realmente deseja o melhor ao humanoide.  

A cada busca por se tornar um indivíduo, um ser humano, Andrew deve enfrentar a burocracia, as leis e a sociedade e aí que eu acho que o livro se apresenta a velocidade em que indiquei.  

Temos por objetivo final, entregar ao Andrew sua humanidade, isso fica claro já na metade do livro. O que vamos presenciar é o percurso que ele deve enfrentar e as dificuldades que os humanos vão colocar no seu caminho. Mas para a história, nenhuma dessas dificuldades será um grande impeditivo, não serão situações que se arrastarão por páginas e páginas.  

O importante para o conto é mostrar que o percurso existe, ele tem espinhos e que direitos conquistados podem não ser definitivos.

Eu estava lendo o livro durante mais um momento em que sentimos que direitos podem ser tomados dos seres humanos que outros podem considerar inferiores. E aí pouco importa se somos 100% orgânicos ou não, quem vai decidir por isso?  

A história termina com Andrew sendo considerado um ser humano, mas porque ele pode morrer. É curioso que o que fez aquela sociedade aceitá-lo, não foi ele ser bom, amável e ter contribuído positivamente para o desenvolvimento na saúde de milhares de pessoas. Foi o fato dele não ser imortal, ser um ser finito.  

Uma passagem me fez vir começar a escrever este texto antes mesmo de ter terminado a leitura, para não esquecer:

 Se as pessoas lembrarem, será contra o senhor. Dirão que fez isso apenas por si mesmo. Dirão que foi parte de uma campanha para robotizar os seres humanos ou para humanizar os robôs, e, em ambos os casos, tratarão como uma iniciativa maldosa e perversa. O senhor nunca foi alvo de uma campanha de ódio político, Sr. Martin, e posso lhe afirmar que seria objeto de um tipo de difamação a que nem o senhor nem eu daríamos crédito, mas haveria pessoas que acreditariam em tudo, Sr. Martin.
Campanhas de ódio fazem pessoas acreditarem em tudo e ninguém está a salvo disso.

sábado, 28 de março de 2026

Asas Escuras e Pássaros Noturnos - Yueh Fernandes

Asas Escuras e Pássaros Noturnos são, respectivamente, o primeiro e o segundo livro da saga de fantasia dark Nictofilia, de Yueh Fernandes. Nesta saga, acompanhamos a ceifeira de almas, Lorna Helgardh, e sua magae, Ethel, que faz as vezes de pet/amiga/babá/guarda-costas. Ambas moram em Nova Estrasburgo, uma capital  vibrante, e são incubidas de coletar almas desencarnadas vagantes antes de serem consumidas por Strix. 

Numa dessas missões, Lorna é acompanhada em seus vôos ligeiros e manobras furtivas por um corvo com penugem iridescente que se acaba se machucando no embate com uma Strix. Leva-o para casa para curá-lo e, com isso, começa a desvendar o submundo da indústria da morte, numa trama que mistura fantasia, suspense, drama e uma pitada de humor involuntário carregado nos diálogos.

Eu confesso que não sou muito de ler fantasia. Li alguma coisa durante minha adolescência e juventude, mas consigo até contar quais foram as sagas no dedos de uma mão: Brumas de Avalon, Fronteiras do Universo, Harry Potter e Percy Jackson (não vou incluir O Guia do Mochileiro aí), então para mim, foi sair um pouco da minha zona de conforto. E foi ótimo! 

A Yueh é uma escritora ímpar. Ela consegue descrever cenários e situações com beleza, riqueza detalhes e vocabulário erudito ao mesmo tempo em que seus personagens se contrapõem a essa seriedade com diálogos descontraídos e linguagem informal. 

Algo que deve ser mencionado é a cadência do desenvolvimento da personagem Lorna e da trama do livro, que vão ganhando uma profundidade ao longo das páginas que eu, sinceramente, não esperava. Lorna é um ser não-vivo cheio de vontade de viver. Durante todos os séculos de sua existência, se esforçou ao máximo para se incluir no cotidiano e na cultura das pessoas vivas, trabalhando em empregos normais, estudando e construindo relações verdadeiras e profundas. Lorna põe tanto amor em tudo faz, que a inevitável tarefa de se mudar periodicamente para disfarçar a sua imortalidade lhe causam dor e sofrimentos profundos. 

Sem dúvida, Yueh é uma autora brasileira a ser aclamada e ter seu devido espaço reconhecido no cenário da literatura fantástica.

terça-feira, 24 de março de 2026

Doze contos peregrinos - Gabriel García Márquez

Caro leitor, tenho uma confissão a fazer: se você parar para observar as datas das postagens, vai ver que ano passado eu li até bastante (para os meus padrões), mas não postei quase nada, por pura e simples falta de tempo. Fui deixando umas anotações nos rascunhos para quando eu pudesse elaborar melhorar essas resenhas, mas só agora em 2026 mesmo que tive tempo/ânimo/disposição para escrever tudo de uma vez. E você aí achando que eu estava lendo  livros por semana,  né? Pois fique tranquilo, que se são 3 por semestre eu já estou comemorando.

Então, o problema é que eu não tomei o cuidado de fazer essas anotações para esse livro, e já o li tem um tempo, então acabei perdendo grande parte das minhas impressões mais espontâneas. Mas, pesquisando aqui e ali, eu fui lembrando de algumas passagens interessantes que eu gostaria de apontar.

Este foi o segundo livro de contos do autor que eu li (o primeiro foi esse aqui) e, ao contrário do primeiro, a leitura deste foi muito mais fácil. Essa é uma obra bem menos complexa do que as outras que li do Gabo, apesar de ter sido muito duramente parida por Gabriel, que descreve no prológo o quanto ele sofreu pra escrever esses contos, que foram reescritos diversas vezes, muitas vezes do zero, durante um período maior que uma década. Obviamente ele ainda escreve realismo mágico, mas mais apaziguado, menos carregado e com tramas mais próximas do realismo puro mesmo. Arrisco dizer que aqui ele não rompe, mas esgarça o tecido do real, deixando escapar um absurdo por entre uma fibra partida e outra. 

Nesta coletânea, Gabriel explora a peregrinação de latinoamericanos pela Europa perspassados pelo contexto histórico dos anos das ditaduras da América Latina, o que toca muito latinoamericanos que alguma vez já saíram do lugar que chamam de casa, pelo  motivo que seja. Percebe-se logo de cara que Gabo não vem a este livro puxar saco de europeu, já escancarando parte de suas intenções no segundo conto (A Santa) quando descreve o cheiro de couve dos europeus, coisa que só os latinos com sua ascendência  e herança genética e cultural dos povos originários parece que consegue sentir. Merecem menção também os contos:

"Boa viagem, senhor presidente", sobre um casal que conhece na europa o ex-presidente do seu país de origem exilado, pobre e sem qualquer tipo da grandeza que lhe era atribuída;

"Maria dos Prazeres", sobre uma velha prostituta que se prepara a morte, mas é arrebatada pelo amor.

"Só vim para telefonar", sobre uma moça cujo carro enguiça no meio da estrada, pega uma carona com um ônibus para que a leva para dentro de um manicômio. Agora, com a alcunha de "louca", como ela vai conseguir sair dali? 

"O verão feliz da senhora Forbes", um conto sensacional sobre uma preceptora que toma conta de duas crianças de férias numa praia paradisíaca na Sicília.

"O rastro do teu sangue na neve", sobre uma moça que fura o dedo no espinho de uma roseira e deixa um rastro de sangue por onde passa na sua lua de mel.

A única coisa que posso te dizer é: leia. Não só esse, como todos os livros do Gabo. Mas saiba que eu sou parcial e não faço questão nenhuma de esconder. Gabriel García Márquez é um dos meus autores favoritos da vida inteira. Se ele escrevesse bula de remédio, eu leria todas.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Sertãopunk - G. G. Diniz, Alec Silva e Alan de Sá

"Sertãopunk - histórias de um nordeste do amanhã" é uma mistura de artigos informativos com contos. No início do e-book, nos são apresentados os artigos "Por que fazer o Nordeste Sertãopunk?", "Solarpunk, Sertãopunk e Um Futuro Sustentável", "Religiosidade afro-brasileira e sertãopunk" e "Afrofuturismo, A Diáspora Africana Nodestina e o Sertãopunk", onde diversos autores discorrem sobre o que é esse novo movimento literário e de onde ele surgiu. 

Resumindo bem resumido: o sertãopunk não tem "punk" no nome à toa, mas sim pela ideia de contestação do status quo e sua posterior destruição. É um movimento que visa colocar o nordeste e o povo nordestino em um lugar diferente do esteriótipo "seca, agreste, sertão, cangaço, pobreza, repente, cordel, negligência estatal e sofrimento", ou seja, ele repensa as representações do nordeste nas artes, tirando-o da imagem senso comum. Além disso, se baseia muito no saber popular, no folclore e no realismo mágico, para tornar o nordeste um palco para tramas futuristas de ficções científicas sensacionais, dando voz aos artistas nordestinos para escreverem e reescreveram a sua história e seu futuro. 

Ao final, são apresentados dois contos sertãopunk. O primeiro, Schizophrenia, de Alan de Sá, fala sobre um rapaz atormentado pelo seu passado nas ruas, seu pregresso uso de drogas e sua falta de descanso, que culmina em alucinações cada vez mais realistas. O segundo conto, Os olhos dos cajueiros, de G. G. Diniz, narra uma investigação policial científica que usa a pesquisa de ponta que está sendo desenvolvida dentro de uma universidade nordestina para resolver um crime que aconteceu dentro de seus campos experimentais. Simplesmente sensacionais. Recomendo a todos se embrenharem no sertãopunk. 

domingo, 22 de março de 2026

Anne de Green Gables - L. M. Montgomery

Um dia, Matthew pega seu cavalo, atrela à sua carroça e vai até a estação de trem receber um menino que foi enviado para adoção à família Cuthbert, composta apenas pelo próprio Matthew e sua irmã Marilla. Como ambos eram solteirões, não tinham filhos e estavam ficando velhos, o trabalho braçal na fazenda Green Gables ficava cada dia mais pesado e era necessário ter uma força de trabalho jovem e resistente para levar o legado da família adiante. Essa prática da adoção para trabalho no lar (meninas) ou na fazenda (meninos) era muito comum antigamente, então vamos fingir que isso não é problemático para não cair no anacronismo, mesmo ainda hoje sendo uma prática persistente nos confins do Brasil.

Ao chegar na estação, Matthew se depara com um engano: uma menina ruiva e franzina fora lhe enviada no lugar do menino que esperava. Como Matthew era um cara que não sabia agir sob pressão, não sabia dizer não e sempre deixava o coração entrar na frente da razão (alguns o definiriam como bobão), resolveu levá-la para casa mesmo assim e se encantou com a menina logo no trajeto até a fazenda. Sua irmã Marilla, que desempenha o papel racional da família, foi terminantemente contra a adoção e não se preocupava em esconder esse descontentamento da própria Anne, que tomou como objetivo de vida conquistar o seu coração. 

Ao longo das páginas, vemos como Anne, uma menina esquisitinha, descrita por ela mesma como feia por conta dos cabelos ruivos que ela detesta, e de passado sofrido, finalmente tem a chance de ser uma criança, que estuda, erra e acerta. Sempre muito imaginativa, Anne criava dentro da sua cabeça histórias e personagens complexos, sendo ela mesma uma dessas personagens (a Princesa Cornelia) então, além de transportar todos para dentro do seu mundinho imaginativo (principalmente sua melhor amiga, Diana), transformava sua própria realidade num grande drama.

Eu li o livro após assistir todas as temporadas da série da Netflix. Fui esperando um grande e profundo drama, com várias pitadas de comédia, mas a minha impressão é de que a narrativa do livro é apressada demais para isso. Na série, vemos como Anne muito vagarosamente conquista o amor dos Cuthberts, aos trancos e barrancos, sempre no meio de muitos erros, choros e ameaças de fim do mundo. Aos poucos, Anne é não apenas aceita, mas se torna parte integrante e essencial da comunidade fechada e antiquada do vilarejo de Avonlea, transformando-a profundamente com sua imaginação e seu otimismo desenfreados. A série é linda e eu chorei, se não em todos, em quase todos os episódios, mas no livro parecia que a autora queria finalizar logo aquela trama. Tanto que o primeiro livro termina com a Anne finalizando o ensino na escola e sendo aceita na faculdade, algo que acontece  apenas na terceira temporada da série. 

Lendo um pouco a respeito da autora, parece que ela foi pega de surpresa pelo sucesso do primeiro livro e teve que inventar maneiras de continuar com a saga de Anne nos livros posteriores, amadurecendo a personagem e escrevendo outros livros no meio das histórias que já tinham sido contadas anteriormente. Saber disso, associada à experiência um pouco brochante do primeiro livro, não me deu vontade de ler os subsequentes, mas fiquei morrendo de vontade de reasssitir a série.

Sobre os ossos dos mortos - Olga Tokarczuk

Em "Sobre os ossos dos mortos", a protagonista Janina nos narra em primeira pessoa uma parte da história do pequeno vilarejo onde mora. Nesta pequena vila, localizada nas bordas da Polônia, durante um rigoroso inverno, vizinhos e conhecidos começam a morrer em situações inusitadas e suspeitas.

Janina é uma engenheira civil aposentada, que se mudou para este pequeno vilarejo para viver uma vida pacata. Deu aula no colégio para as crianças durante um tempo, mas ocupa a maior parte do seu tempo traduzindo poemas de William Blake com um ex-aluno, estudando astrologia por conta própria e cuidando da casa dos vizinhos, quando estes se ausentam. Além disso, é uma pessoa já meio ranzinza e pessimista, que vê o lado ruim em tudo e todos, coloca apelidos pejorativos em todos que a rodeiam (mas nunca os profere em voz alta), uma ferrenha ambientalista, vegetariana e contra as políticas de caça do seu país, as quais considera brandas demais. 

Num certo dia de inverno, um de seus vizinhos morre engasgado com um osso da corça que havia caçado. Pouco depois outros caçadores morrem, e parece que pistas deixadas por animais nos locais dos crimes estão sendo negligenciadas pelas forças policiais. Janina, já absolutamente convencida e respaldada por seus estudos astrológicos, começa a tentar convencer todos ao seu redor (inclusive a polícia), de que a natureza selvagem finalmente começara a se vingar dos seus algozes.

Ok, a partir daqui, não há mais o que falar da trama sem revelar um pouco do seu final, então, já leia sabendo do risco de receber um spoiler.

Este não é um livro novo: foi publicado a primeira vez em 2009 e trazido para o Brasil em 2019. Também não foi o motivo principal de Olga ter ganhado um prêmio Nobel, dado pelo conjunto de toda sua obra literária. E mesmo assim, ele fez barulho quando chegou aqui no Brasil. Tanto barulho que eu voluntariamente comprei a versão física para ler, algo que faço com raridade, já que ganhei muitos livros da coleção dos meus pais quando se mudaram e priorizo lê-los. A edição do livro é linda. Eu, que não sou uma pessoa apegada ao livro físico e doo a maior parte daqueles que já li, fiquei com vontade de mantê-lo na minha coleção. Só não o fiz, porque esse livro é muito chato. Nossa, como é chato. 

A narrativa até que é boa, mas a protagonista é difícil de engolir. Existe uma sutileza dentro da protagonista e das suas relações, onde podemos aprender uma coisa ou outra a respeito de etarismo e da solidão dos idosos. A Janina é uma idosa muito sozinha, mas que conscientemente escolheu ficar só e morar num lugar onde nem os Poloneses conseguem permanecer no inverno, de tão frio e triste. Será que é o que ela acha que merece? Além disso, ela nitidamente é vista como a vizinha encrenqueira, que reclama de tudo e se rebela contra um sistema que não a ouve, e por isso é tachada de chata e louca. E talvez esse amargor da Janina é tão bem descrito que ela se tornou uma personagem insuportável de se conviver ali na vila, mas também se tornou uma narradora chata de ler.

Adicionando a isso, a questão ambiental do livro parece que foi colocada sem cuidado, enfiada goela a baixo e ficou parecendo uma palestrinha de vegano para vegano; não convence ninguém de fora do movimento e só serve para reforçar o que as pessoas já pensam. Por último, o enredo policial não é envolvente e o final não surpreende nem os leitores mais desatentos. Não gostei mesmo.

quarta-feira, 18 de março de 2026

De onde vem a calma: Ventura e o Carnaval particular dos Los Hermanos - Daniel Rezende

Para quem é fã da banda Los Hermanos, o título já entrega que este livro é sobre as suas músicas. E eu já vou começar essa resenha admitindo que serei parcial, pois, eu mesma, sou muito fã dos Los Hermanos. Mas, também cabe a ponderação de que só vai se interessar em ler esse livro quem também for fã da banda. Então tá tudo certo, tudo em família. De um fã para outro, este livro é muito bom.

Tive o prazer de conhecer o Daniel Rezende numa feira de livros promovida pela universidade onde eu trabalhei e, na ocasião, trocamos livros. O autor é doutor em Ciências Sociais, professor e pesquisador das áreas de Cultura e consumo, Teoria social do gosto e Tribos musicais. Nesse livro, que não deixa de ser técnico nem um instante para ser uma mera homenagem de fã, Daniel analisa as letras das músicas do álbum Ventura, o terceiro álbum da banda, que completou 20 anos em 2023 (estou velha). 

Pessoalmente, acho Ventura o melhor e mais delicioso álbum dos Los Hermanos, com músicas que dão vontade de cantar a todos os pulmões junto com a banda. Poder ler este livro, enquanto ouvia o álbum e pegava algumas nuances das letras que passaram despercebidas foi uma experiência encantadora. O único problema foi que eu tive que esconder o livro após lê-lo, pois toda vez que eu o via na estante, passava o dia cantarolando a música título na cabeça. Se você não gosta de Los Hermanos, dê uma chance para a banda. Só não gosta de Los Hermanos quem só conhece Ana Júlia.