Wallace estava a caminho da escola num dia totalmente normal, quando se deparou com uma porta num muro, que nunca estivera ali. Entrou e, para sua surpresa, deparou-se com uma lindo jardim num mundo fantástico. Apesar de receber um convite para ali permanecer, por conta de seus compromissos, preferiu sair. Quando quis retornar ao lindo jardim, não mais encontrou a porta no muro.
Wallace então cresce, sempre com o sentimento de que deveria ter ficado do outro lado da porta. Em diversos momentos de sua vida adulta, a porta reaparece para ele, que se depara com a possibilidade de largar toda a sua vida e viver no mundo mágico. Mas, por razões que ao homem sempre parecem muito legítimas (mas não para quem vê de fora), ele decide não passar pela porta e continuar a viver a sua vida mundana. Em seu leito de morte, se arrepende.
Esse foi o primeiro conto do H. G. Wells que eu li, refleti e gostei. Apesar do estilo de narrativa do autor não ser o meu preferido, as reflexões trazidas nesse conto vieram ao encontro de muita coisa do que eu penso e que já escrevi eu mesma. Em diversas situações na nossa vida, temos oportunidades factíveis de largar a realidade a qual não gostamos muito e viver algo totalmente novo. Mas o novo por vezes é assustador, então preferimos ficar na cômoda situação mais ou menos que estamos hoje e utilizamos a oportunidade passada, irreversível, do futuro do pretérito, como uma âncora para nossa infelicidade. "Ah, se naquela quarta-feira eu tivesse passado por aquela porta, hoje tudo seria diferente e eu seria feliz".

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