
Caro leitor, tenho uma confissão a fazer: se você parar para observar as datas das postagens, vai ver que ano passado eu li até bastante (para os meus padrões), mas não postei quase nada, por pura e simples falta de tempo. Fui deixando umas anotações nos rascunhos para quando eu pudesse elaborar melhorar essas resenhas, mas só agora em 2026 mesmo que tive tempo/ânimo/disposição para escrever tudo de uma vez. E você aí achando que eu estava lendo livros por semana, né? Pois fique tranquilo, que se são 3 por semestre eu já estou comemorando.
Então, o problema é que eu não tomei o cuidado de fazer essas anotações para esse livro, e já o li tem um tempo, então acabei perdendo grande parte das minhas impressões mais espontâneas. Mas, pesquisando aqui e ali, eu fui lembrando de algumas passagens interessantes que eu gostaria de apontar.
Este foi o segundo livro de contos do autor que eu li (o primeiro foi esse aqui) e, ao contrário do primeiro, a leitura deste foi muito mais fácil. Essa é uma obra bem menos complexa do que as outras que li do Gabo, apesar de ter sido muito duramente parida por Gabriel, que descreve no prológo o quanto ele sofreu pra escrever esses contos, que foram reescritos diversas vezes, muitas vezes do zero, durante um período maior que uma década. Obviamente ele ainda escreve realismo mágico, mas mais apaziguado, menos carregado e com tramas mais próximas do realismo puro mesmo. Arrisco dizer que aqui ele não rompe, mas esgarça o tecido do real, deixando escapar um absurdo por entre uma fibra partida e outra.
Nesta coletânea, Gabriel explora a peregrinação de latinoamericanos pela Europa perspassados pelo contexto histórico dos anos das ditaduras da América Latina, o que toca muito latinoamericanos que alguma vez já saíram do lugar que chamam de casa, pelo motivo que seja. Percebe-se logo de cara que Gabo não vem a este livro puxar saco de europeu, já escancarando parte de suas intenções no segundo conto (A Santa) quando descreve o cheiro de couve dos europeus, coisa que só os latinos com sua ascendência e herança genética e cultural dos povos originários parece que consegue sentir. Merecem menção também os contos:
"Boa viagem, senhor presidente", sobre um casal que conhece na europa o ex-presidente do seu país de origem exilado, pobre e sem qualquer tipo da grandeza que lhe era atribuída;
"Maria dos Prazeres", sobre uma velha prostituta que se prepara a morte, mas é arrebatada pelo amor.
"Só vim para telefonar", sobre uma moça cujo carro enguiça no meio da estrada, pega uma carona com um ônibus para que a leva para dentro de um manicômio. Agora, com a alcunha de "louca", como ela vai conseguir sair dali?
"O verão feliz da senhora Forbes", um conto sensacional sobre uma preceptora que toma conta de duas crianças de férias numa praia paradisíaca na Sicília.
"O rastro do teu sangue na neve", sobre uma moça que fura o dedo no espinho de uma roseira e deixa um rastro de sangue por onde passa na sua lua de mel.
A única coisa que posso te dizer é: leia. Não só esse, como todos os livros do Gabo. Mas saiba que eu sou parcial e não faço questão nenhuma de esconder. Gabriel García Márquez é um dos meus autores favoritos da vida inteira. Se ele escrevesse bula de remédio, eu leria todas.
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