segunda-feira, 2 de março de 2026

A vida não é útil - Ailton Krenak

"A vida não é útil" é um livro bem pequenininho e, por isso, a resenha também será bem pequenininha. O autor, Ailton, é um jornalista indígena do povo Krenak, profundamente afetado pela industria da extração de minérios. Ao longo da sua vida, Ailton, que trabalhou (e ainda trabalha) principalmente com educação e ativismo ambiental, proferiu diversas palestras, deu entrevistas e participou de lives na pandemia, que tiveram seus conteúdos adaptados para o formato de texto. São eles: Não se come dinheiro, Sonhos para adiar o fim do mundo, A máquina de fazer coisas, O amanhã não está à venda e, aquele que dá nome ao livro, A vida não é útil.

Como os próprios nomes dos capítulos dizem, Ailton disserta sobre o estilo de vida e pensar capitalista e para onde eles estão nos levando. Em face da pandemia, o autor discorre como é, sim, possível diminuir o ritmo e respeitar mais os ciclos naturais das coisas e dos seres vivos. O livro é muito bonito e extremamente fácil de ler. Foi muito interessante ler as próprias palavras de um indígena sobre sua visão do que somos como seres humanos e, principalmente, do que é o planeta Terra. O povo Krenak considera a Terra um ser vivo. Tudo que nela existe é parte desse único ser pulsante. Tudo o que com ela é feito, acaba retornando. A Terra adoece e prospera como um todo. É curioso e um pouco triste, como essa visão era muito óbvia para mim quando criança e como ela foi se perdendo e se transformando ao longo da realidade nua e crua da vida.  

Apesar de bonito, o meu lado cínico achou a obra talvez um pouco positiva demais. Cheguei na leitura esperando algo mais na linha da Sociedade do cansaço, do Byung-Chul Han, e não estava preparada para o tanto de positivismo que encontrei. Minha alma amarga e derrotista queria validação e o Ailton não validou, não. O que foi ótimo. Contudo, apesar de positivo, Ailton não cai naquela falácia de que está nas nossas mãos individuais mudar isso e responsabiliza quem deve ser responsabilizado por fazer as mudanças que são necessárias para que, de fato ocorra uma transformação geral na sociedade. É um suspiro poder encontrar pessoas e povos que pensam diferente de mim, que me forçam a ver o mundo de uma maneira mais positiva. Aliás, se não houver esperança, não há luta.  

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