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sábado, 13 de dezembro de 2025

Porteira 9 - Rodrigo Pontes

Uma distopia onde o Brasil se tornou uma potência e o celeiro do mundo, mas nem todo brasileiro mora nessas terras e aproveita dessas maravilhas.

Um grande muro foi levantado não tão próximo do litoral e separa a elite agrária brasileira dos abandonados ex-brasileiros e exilados de outros países que tentam chegar pelo mar.

De um lado, um mundo tecno-agrário utópico em que todos têm de tudo, sem precisar nem ao menos trabalhar, governados por um conselho de famílias agrárias dividido em imensos latifúndios. Do outro, um mundo distópico - onde não há alimento real, todos comem uma ração doada pelo lado de lá - controlado por um pequeno governo que sobrevive da lembrança do início desses tempos terríveis.

Como toda ficção-científica, essa não nos deixa aquém dos acontecimentos atuais numa visão futurista da sociedade. Num caminhar em direção ao Solarpunk, nossa história mostra uma utopia alcançada, mas a que custo? E aí está o conflito que nos indica que na realidade só temos esse paraíso pagando um preço elevado demais.

Dieine, nossa protagonista, vive do lado do litoral da cerca em Porteira 9. Seu pai a ensinou o trabalho de pedreira. Ele era muito bom no que fazia e aprendeu a aceitar a vida, ela aprendeu direito o serviço, mas não entendia porque viver assim e constantemente pensava em formas de sair daquele lugar, para desespero do pai.

Manoela vive do lado do interior da cerca em Três Morrinhos. De uma família não muito rica, ela não tem grandes pretensões sociais, a ponto de só querer aprender a plantar, ler e escrever, três atividades que aparentemente são vistas como desnecessárias e menores nessa super-sociedade-rica-e-abastada que garante a todos o necessário e mais alguns benefícios a ponto de não precisarem de dinheiro ou trabalho remunerado.

Vladimir vive do lado do litoral em Porteira 9 e tem sua vida mudada quando descobre um túnel não finalizado, tenta furar a grande cerca de concreto e toma para si o trabalho de finalizá-lo chegando ao outro lado. Ele tem assim um ar de liberdade e um sentimento de futuro, mesmo que incerto, nesse grande latifúndio de mata e vida. Mas essa experiência se mostra mais perturbadora do que ele imaginava e a alegria pela conquista da liberdade se torna um choque de realidade ao perceber que não fez da sua vida o que achava ter sido o melhor.

Nossas três personagens caminham paralelamente numa jornada de descobrimento como serem humanos. Enquanto temos aquelas que estão numa luta contra aquilo se que veem obrigadas a seguir como o caminho natural temos aquelas que estão apenas em busca de uma salvação pessoal, se colocando longe de tudo e todos em busca de uma nova vida, em que o peso das responsabilidades seja substituído por tranquilidade e paz.

A ambientação desse país tecno-agrário é bem realista e a utilização de máquinas em todos os afazeres do dia-a-dia nos remete a uma espécie de combinação dos Jetsons com Chico Bento.

Com o foco numa sociedade rural, é um livro pra se maravilhar com as boas referências à ciência brasileira, com foco na Embrapa e em citações ao Globo Rural, esse ótimo programa jornalístico das manhãs de domingo que nos leva à áreas fronteiriças do Brasil para responder a perguntas muitas vezes simples sobre as dificuldades da agricultura familiar.

É muito difícil falar mais da história sem explanar spoileres que prejudicariam a descoberta de toda a história, mas digo que a leitura é muito agradável. Ficamos a cada capítulo interessados no que o futuro está a entregar para cada uma das personagens, como elas lidarão com as dificuldades que a vida e a natureza lhes imporão e onde isso tudo levará.

P.S.: Vale de extra que no Órbita, algo como um fórum do Manual do Usuário, temos uma conversa sobre o livro e o autor está lá participando.

domingo, 4 de dezembro de 2022

Animus Universum - Lucas Anelli

Jô abre os olhos e está num quarto escuro. Não reconhece o local, mas consegue distinguir contornos. Aos poucos, seus olhos se acostumam à escuridão. Um ser de sombras aparece e se apresenta como Umbra. 

Umbra não explica absolutamente nada a Jô. Onde ele está? Por que ele não se lembra de absolutamente nada, sequer do seu nome? Umbra apenas reafirma que veio em paz, que quer o bem de Jô e que ele precisa passar por aquela portinha ali no canto para entender tudo que está acontecendo.

Sem alternativas, Jô passa pela porta e logo fica claro que ele não está no mundo real. As pessoas e os cenários são desenhos animados. Ainda tentando entender onde estava, Jô é atingido em cheio por uma bexiga d'água e, a criança que o atingira, torna-se seu guia por esse mundo fantástico. Juntos, vestem-se de super heróis e combatem vilões.

Terminada a missão, Jô cruza por outra porta e se vê numa magnífica floresta. Para te acompanhar na nova missão, surge uma força da natureza chamada Molittiam, que o ensina a sentir e curar seu corpo, encarar seus medos nos olhos e encontrar no inimigo algo que já existe dentro de si. Na floresta, mais um desafio o esperava.

E assim, porta a porta, Jô se vê um mundo totalmente novo e fantástico, enfrentando seus monstros internos e o preparando para os desafios da vida real. Uma verdadeira jornada de autoconhecimento para o personagem, o autor e os leitores.

Animus Universum é a primeira obra publicada de Lucas Anelli. Achei os incríveis os cenários descritos e os nomes criados pelo autor. É um livro de leitura bastante fácil e que prende bastante a atenção. As analogias utilizadas são bem naturais de se compreender, mesmo assim o livro não deixa de te surpreender aqui e ali. É perceptível que o autor passou por mudanças profundas na vida dele ao decorrer da narrativa; a parte final do livro parece ter sido escrita por outra pessoa. Mas isso não é uma crítica, o Lucas parece ser uma pessoa profundamente conectada com o seu interior e que dispensou bastante tempo pensando a respeito do lugar dele no mundo e isso fica claro na narrativa. Um autor para se ficar de olhos abertos.

sábado, 3 de dezembro de 2022

Amazônia 22 - Eduardo M. C.

No Brasil de um futuro distópico, os cidadãos brasileiros vivem em complexos gigantescos construídos suspensos sobre a Floresta Amazônica. Crescendo na floresta, fora descoberta por uma cientista anos antes a Vitória-régia Azul, uma mutação de difícil cultivo e reprodução em laboratório que tem propriedades extraordinárias de cura. A sociedade vive no que parece ser uma ordem e uma paz inabaláveis, onde cada casta desempenha seu papel sem questionar. Mas toda grande descoberta da humanidade, invariavelmente, vem rodeada de batalhas por dinheiro e poder, mesmo que por debaixo dos panos. 

Nesse contexto, vive a protagonista Ana. Sendo filha do comandante do complexo em que habita, Ana se beneficia de confortos e privilégios, burlando as as regras do complexo quando lhe convém, pois sabe que nada vai lhe acontecer. Apesar de viver a melhor das vidas, Ana se sente de certa forma deslocada. Detesta (quase todos) os seus colegas de colégio e não compreende muito bem o motivo. É quando chega em sua sala um novo aluno, Jonas, um ajustado, uma casta inferior treinada para servir. Jonas ganhara do governo a oportunidade de ascender socialmente, então precisa andar sempre nos trilhos e não chamar muito a atenção para si. Ana fica fascinada por Jonas, o que desperta ciúmes e ressentimentos dos seus colegas de casta Diogo e Felipe. E, por um acaso do destino ou não, os quatro se encontram numa missão especial do governo para descobrir onde está o documento deixado pela cientista sobre como reproduzir a Vitório-régia Azul em laboratório, garantindo soberania nacional.

Logo, Amazônica 22 torna-se uma verdadeira aventura com narrativa e contexto complexos, que envolve terroristas, contrabandistas, agentes dos governo infiltrados, cobra comendo cobra o tempo todo e, claro, personagens adolescentes passando por situações de reais perigos de morte (a marca registrada de Eduardo M. C.). Assim como Segredos do Ventos, é uma obra jovem que você não consegue largar até terminar. 

Recentemente, o autor lançou a continuação desta obra, chamada Semente Ancestral, já disponível para leitura. Com certeza está nas minhas próximas leituras de 2023.

Memórias de um sargento de milícias - Manuel Antônio de Almeida

Memórias de um Sargento de Milícias é a primeira de apenas duas obras do autor Manuel Antônio de Almeida, que morreu tragicamente muito jovem num naufrágio. Nesta obra, Manuel narra a vida de Leonardo, filho de imigrantes portugueses no Brasil colônia que se apaixonaram perdidamente no navio vindo da Europa, mas logo que se estabeleceram em solo  brasileiro começaram a vivenciar problemas conjugais. 

Poucos anos se passaram até seu pai descobrir o caso extraconjugal de sua mãe, que aproveitou o ensejo para abandonar filho e marido e fugir no primeiro navio com o amante. O pai de Leonardo, também Leonardo, simplesmente o largou à própria sorte. Vocês imaginem, se em 2022 quando a mãe falece ou vai embora o pai deixa os filhos com os avós, no século XIX não ia ser muito diferente. Vendo a triste situação, o padrinho de Leonardo filho, barbeiro de profissão, resolveu criar o menino como se fosse seu.

O padrinho tinha enorme carinho e amor pelo menino e, por vezes, fazia vista grossa as suas travessuras. Sim, Leonardo era uma criança travessa, mas apenas uma criança. E uma criança que a vida toda ouviu das pessoas a sua volta que ele não tinha futuro e não ia dar em nada. Ouviu tanto que acreditou, uma profecia auto-realizável. Tentou estudar, foi expulso da escola. Tentou ir pro seminário, foi expulso da igreja. Resolveu vagabundear e por aí se encontrou. Até que foi pego pela polícia por vadiagem e, ao invés de ser preso, preferiu ser cooptado pela polícia como sargento de milícias. Ah, esqueci de falar que no meio disso tudo aconteceu um romance morno com uma menina chata que no final o autor tenta nos fazer acreditar que era um grande amor reprimido.

Eu vou ser sincera: ou eu não entendi nada desse livro, ou ele é bem chato mesmo. Não dei uma risada, não me emocionei, não me afligi. Não entendi porque recebeu alcunha de clássico. A obra ainda é salpicada com expressões e termos muito racistas. Ok, é do século XIX e a gente precisa tentar não cair no anacronismo, mas, mesmo assim, ler certas coisas embrulha o estômago. Não recomendo. Vai ler Machado de Assis, pelo amor de Deus. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Segredos do Vento - Eduardo M. C.

Marina é uma jovem pré-adolescente como muitas outras: tímida, com suas inseguranças e muita curiosidade. Contudo, passa por uma situação diferente: a saúde do seu pai vem se debilitando ao longo do tempo, sem explicações das causas. Numa manobra para angariar fundos para seu tratamento, ela e seus pais vendem o apartamento na cidade e se mudam para a casa da fazenda do avô paterno em Santa Clara do Bosque, uma cidade fictícia no interior de São Paulo, próxima à Campinas.

Ao chegar no seu novo lar, Marina já de cara entende como são as coisas na pequena cidade: todo mundo conhece todo mundo e é parente em algum grau, segredos, fofocas e lendas rondam nas bocas e ouvidos dos cidadãos e, aparentemente, a sua família paterna e a fazendo onde foi morar têm grande influência na história e no presente de Santa Clara do Bosque.  

Ao realizar um trabalho de história do colégio com Roberta e Carol, as primeiras amizades que fez no colégio, Marina se depara com uma possível explicação para o estado de saúde debilitado de seu pai: uma maldição que ronda a família. Unindo sua ingenuidade e curiosidade à empolgação e preparo para aventuras de Roberta e o, às vezes cansativo, ceticismo de Carol, as três meninas passam por poucas e boas investigando a origem das lendas e fofocas de Santa Clara do Bosque.   
 
Segredos do Vento foi a primeira obra que li de Eduardo e que surpresa mais agradável que eu tive. É um livro tão fresco, jovial, leve e rápido de se ler. Me arrancou muitas risadas e garantiu diversão, distração e entretenimento pelo tempo que me acompanhou. O único defeito é que, pelo fato do livro ser fácil de ler, acaba rápido. Com certeza indico para o público jovem e para aqueles mais velhos que querem dar uma pausa no clima pesado do dia a dia.

sábado, 26 de junho de 2021

Castle High, o Retorno da Espada - J. O. Aquino

Arthur Crytus é príncipe de Meridian, um reino que comanda outros reinos menores. Quando muito novo, seu pai desapareceu em circunstâncias misteriosas e sua mãe, Merida, assumiu o comando como Rainha Regente. Arthur ainda era uma criança teimosa e que não entendia muito bem suas responsabilidades como príncipe, quando numa noite de festa, seu reino foi atacado e totalmente devastado. Ainda sem saber se havia sobreviventes ao ataque (incluindo sua própria mãe), Arthur foge com a ajuda de um cavaleiro amigo da família na companhia de sua amiga para Andrômeda, um colégio magicamente protegido, onde aprenderia a ser um espadachim ou um arqueiro de elite. 

Já nos primeiros dias, Arthur faz diversas amizades nos dois grandes grupos de alunos do colégio e é escolhido como o representante dos espadachins para domar dragões  no torneio interno de habilidades de Andrômeda. Entre as provas das disciplinas do colégio, os treinos para o torneio, os dramas adolescentes e professores agindo de formas curiosas, aos poucos informações sobre quem atacou o seu reino e por qual motivo vêm à tona, conectando Arthur e os leitores numa trama profundamente cheia de mistérios.

Castle High já é uma fantasia de sucesso e o próprio processo de escrita de Jonas Aquino já a diferencia das demais. Com poucos recurso, o escritor escreveu a trama no lápis e papel, usando computadores emprestados para digitalizá-la, e, com a qualidade da trama, a fez best-seller na Amazon. Ainda vêm dois volume por aí para nos fazer mergulhar de vez no mundo de Arthur Crytus e nos explicar timtim por timtim todas as minúcias dessa história fantástica.

domingo, 28 de março de 2021

O Cortiço - Aluísio Azevedo

De verdade, eu acredito que os livros tem seus momentos certos para serem lidos. Mas esse momento não é o mesmo para todas as pessoas, mas com certeza eu não acredito que o momento de ler isso seja no início da juventude.

Mas a grade curricular entende que devemos conhecer nossos grandes nomes da literatura, concordo. Porem... Será que conseguiremos entender porquê essas pessoas se tornaram grandes nomes? Talvez.

Peguei para ler O Cortiço, porque não conheço quem não tenha ouvido falar dessa obra em qualquer momento da vida, sem ler não tinha muito o que dizer. E bem, agora eu posso dizer que realmente é interessantíssima.

O mais assustador. Se fosse escrita hoje, continuaria atual e o é.

sexta-feira, 5 de março de 2021

Última noite em Chernobyl - Vários autores

"Última Noite em Chernobyl" é uma coletânea de contos organizada pela Editora Skull em homenagem aos 34 anos da catástrofe nuclear que traumatizou todo um mundo. Nesta grata surpresa, temos oito contos de nove autores nacionais, cada um nos presenteando com seu estilo narrativo e sua extrapolação do que ocorreu em Abril de 1986 em Pripyat.

Em "Sinta a radiação" de Gabriel Cordeiro, vivenciamos em primeira pessoa e sentimos a dor no presente de um bombeiro convocado para apagar o incêndio na usina. Agoniante. 

"A Arca", de Jonas Vendrame e Thaís F. Barbosa, nos conta a tenebrosa história de um policial que capotou a viatura no dia do acidente e acordou no hospital algum tempo depois em uma realidade totalmente diferente. Um thriller, com muito, muito suspense.

Em "Palavras de salvação", de Diego Canuto, acompanhamos de perto e com mais de dois pés atrás a história de um homem bêbado que reencontra seu irmão morto. "Somosely" de Fernando Luiz, é a história bastante sombria de como uma família conseguiu produzir e explorar o leite milagroso de sua vaca, transformando-a num ponto turístico. 

Rebekah H. Lindsey, em "Últimas Memórias", a história de uma criança que acompanha sem entender o que estava acontecendo, sendo aos poucos separada de seus amigos e familiares. Se seu coração chegou inteiro até aqui, prepare-se para tê-lo partido em mil pedaços. Em "Mutação em Chernobyl", de Rozz Messias, acompanhamos coisas estranhas e inexplicáveis acontecendo num acampamento para os sobreviventes do acidente. 

"Pavel" de David Machado, é uma criança que vê ao seu lado coisas de adulto acontecendo que não entende muito bem e, após a explosão em Chernobyl, tem um destino heroico um tanto quanto controverso. Por último, "Flores para Chernobyl" de Sávio Batista é uma trama de amor, ódio, traição, vingança e espionagem, que culmina no acidente de Chernobyl. Fantástico.

Ao todo, um livro de leitura extremamente diversa, que nos desperta as mais variadas sensações e emoções. Vale super a pena. 

Epifanias - Vários autores

O "Epifanias" foi uma antologia lançada pela Editora Andross em 2019, juntamente com mais outros seis títulos. Destes sete, eu li ao todo, quatro. Escrever sobre esse livro me gera sentimentos confusos, pois eu sou ao mesmo tempo leitora e autora da coletânea. 

O livro tem, sim, bons contos e bons autores. Inclusive, estar nessa publicação me permitiu conhecer e estreitar relações com autores fantásticos, que realmente tem talento com as palavras, como: Carina Martins, Renato Coimbra, Trycia Mello e Murillo Lino.

Contudo, dentre os 60 contos publicados, diversos pareciam bastante amadores. Bastante mesmo. Havia neste meio contos com estrutura de posts em blogs, um mero resumo de outro livro, relato de fatos históricos, que não apresentavam uma interpretação original sobre os assuntos. Outros contos simplesmente não tinham a menor graça ou qualquer outro tipo de interesse, eram só histórias contadas sem  desenvolvimento de emoções, sem apelo e sem talento. Fomos premiados também com pitadas de transfobia e um texto que falava sobre depressão sem a menor empatia com a pessoa depressiva (esse me deixou particularmente triste, pois passei por depressão). Inclusive um dos contos narrava a experiência do autor no evento de lançamento da coletânea do ano anterior, onde ele descaradamente puxava o saco do dono da editora, numa rasgação de seda sem precedentes. Em outra antologia, havia um texto com romantização de zoofilia. Os contos medianos possuíam boa premissa, mas foram desenvolvidos com pressa, sem a cadência necessária, interrompidos abruptamente.

Uma explicação para esse fato é que a Andross trabalha com um esquema de publicação cooperativa: os autores escolhidos devem pagar uma cota referente ao intervalo de caracteres que possuem os contos para terem seus trabalhos publicados. Essa dinâmica acaba comprometendo o trabalho dos dois lados: de um lado o autor quer desenvolver sua história da forma mais curta possível, para pagar menos (muitas vezes não consegue com o espaço disponível no seu bolso), do outro lado, o editor quer cooptar o maior número de autores para a publicação, para maximizar seus lucros. 

A verdade é que eu não gostei do trabalho apresentado, nem na minha coletânea, nem nas demais que li. O livro Madrepérola, coletânea de poesias, me pareceu ter sido a única exceção, onde o critério para escolha das poesias foi de fato a qualidade dos textos. A dica é que se você for publicar, dê uma olhada nos trabalhos prévios da editora escolhida. Pode ser que você mude de ideia.

O Caso Morel - Rubem Fonseca

Paulo Morel é um fotógrafo renomado. Passava grande número das suas noites em festas da alta sociedade carioca, bebendo, se drogando e transando com toda sorte de mulheres. Paulo Morel tinha muitas namoradas ao mesmo tempo e fundou uma sociedade poliamorosa quando esse termo sequer existia.

Frequentavam a casa de Paulo Morel quatro mulheres, cada uma com sua personalidade, jeito de amar, de transar e de viver: (i) Elisa, socialite, mulher mais velha e refinada , (ii) Ismênia, artista, pintora naïve, caso antigo de flerte de Paulo, (iii) Carmem, garota de programa, moça simples do interior que se viu sem alternativas à prostituição e leva o filho para a casa poliamorosa e (iv) Joana, jovem, desenvolta, filha de um embaixador, da alta sociedade carioca. Naquela casa, todos sabiam e ouviam as aventuras de Morel e Joana no BDSM, que às vezes parecia passar dos limites. Os gritos, gemidos e hematomas eram frequentes.

Uma manhã, Joana aparece morta na praia. Espancada até a morte. Foi Morel?

Paulo de Morais está preso. Injustamente, segundo o próprio. Com a ajuda de Vilela, um escritor e ex-policial, Paulo narra e escreve um livro sobre sua história, visando esclarecer os fatos. Mas os fatos parecem confusos, contraditórios e incompletos. Vilela está de saco cheio do Morel. Seu tino policial grita para que ele investigue por si próprio o que aconteceu. Seria ele realmente inocente? De testemunha, só havia mesmo a memória entorpecida de Morel.

O Caso Morel foi o o primeiro romance que Rubem Fonseca escreveu e primeiro o seu primeiro livro que li. Meu pai é muito fã do Rubem Fonseca e me senti impelida a ler, tentar compreender o fascínio e  e compartilhar desse sentimento. Mas, no geral, achei uma leitura difícil, muito difícil. O narrador da história se alterna o tempo todo entre o narrador externo e o próprio Paulo, que narra sua história para Vilela. A história tem muitas cenas de violência, humilhação e sexo. Os personagens são confusos, como os seres humanos também podem ser em momentos de desorientação. Compreendo o valor da obra e do estilo literário, cru, jogando verdades e hipocrisias na nossa cara, mas não é o tipo de leitura que eu costumo buscar.  

Vou dar outra chance ao Rubem em algum outro título. Talvez eu tenha dado azar, ou talvez eu descubra que não goste do seu estilo mesmo.

Palas - Gil Luiz Mendes

Palas, em recifense, significa xavecos ou flertes. Como não poderia deixar de ser, essa deliciosa coletânea circula por cenários da capital pernambucana, observando bem de pertinho 28 palas acontecendo em tempo real. 

O livro é composto por contos curtos, sendo alguns com pouco mais de 2 páginas, mas nunca ultrapassando 5 delas. Do jeitinho que eu gosto, somente longo o suficiente para te fazer entender o contexto dos personagens, mas tão curtos que deixam saudades no final. Os cenários, os personagens e as situações são descritos com tanto carinho e esmero que minha vontade era de virar fanfic-eira e transformar cada um dos contos em um livro próprio.

Palas foi o primeiro livro lançado pelo escritor, jornalista e podcaster Gil Luiz Mendes em 2016, relançado em 2020 em edição ampliada. E olhem esta capa maravilhosa, que retrata lindamente a diversidade de pessoas que habitam Recife e os contos aqui narrados, em suas diferentes cores e estilos. Para tornar a obra mais especial, essa edição conta com um prefácio escrito por ninguém mais, ninguém menos do que Xico Sá.

Um livro relativamente curto, de leitura rápida, que garanto que vale muitíssimo a pena. São várias pequenas viagens que nos arrancam diversos sorrisos, às vezes pela tremenda cara de pau dos personagens, às vezes pela delicadeza das palavras. 

A Hora da Estrela - Clarice Lispector

"A Hora da Estrela" foi o primeiro livro de Clarice que li na minha vida. Ainda tenho dificuldades para encontrar as palavras para descrever o que senti e o que ainda sinto com essa leitura. Não era absolutamente nada do que eu esperava. Sempre tive a impressão de que Clarice era uma autora poética e lírica e, na minha opinião, esta obra é crua e até um pouco ácida.

Acompanhamos a história de Macabéa, uma personagem simples, migrante assentada no Rio de Janeiro, com um emprego que paga suas contas, sem uma inteligência ou beleza marcantes, que mora numa pensão e divide quarto com mais três mulheres. Macabéa tem poucos sonhos, nenhuma amizade verdadeira, mal sabe se é capaz de ter sentimentos, não sabe se relacionar e conviver em sociedade com desenvoltura e vive soltando gafes devido a sua ingenuidade quase infantil.  

Macabéa é tão simples, tão só aquilo ali mesmo que vemos, que durante uma boa parte do livro, inclusive, sequer sabemos o seu nome. Ou será que essa é apenas o ponto de vista do narrador sobre ela? A má vontade do narrador em nos contar a sua história é latente. Ele reclama o tempo todo de ter que descrever os acontecimentos, lutando internamente entre contar ou não contar, julga a personagem, o cenário e o desenrolar da história. Em alguns trechos, ele não se aguenta e desanda a desabafar sobre tudo, o que torna a leitura muito mais divertida, pois a história de Macabéa é triste e vazia.

Nunca tinha lido uma obra assim, onde o narrador não queria nem estar ali. Foi um livro que mudou a minha forma de pensar leitura e escrita. É um livro bem pequeno e que eu engoli em dois dias. Recomendo muito a quem quiser ter uma experiência um pouco mais desconfortável.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Onde está Lúcia? - C. B. Alves

Neste pequeno thriller, a jovem Lúcia, cursando o final do ensino médio, simplesmente desaparece, sem deixar rastros, pistas ou sequer uma explicação para sua mãe. A pequena cidade fictícia de repente não é mais tão pacata assim. Os cidadãos em geral, amigos de Lucia em particular, se encontram apreensivos e confusos, sem saber se há a solta um sequestrador ou assassino em potencial.

Até que a mãe de Lucia morre, deixando uma carta de suicídio que cita várias personalidades, algumas de importância social, da cidade. A partir de então, as pessoas não se encontram mais apreensivas e confusas, mas com bastante medo ou raiva, pois de repente tiveram seus nomes embrenhados nessa trama toda mal explicada.. As investigações policiais começam a levantar a poeira muito bem escondida embaixo dos tapetes da cidade, segredos começam a ser revelados. Uma vibe que me lembrou a série "Não fale com estranhos", da Netflix.

Por meio da mudança da narrativa (o personagem narrador se alterna durante todo o livro), conhecemos diferentes personalidades, contextos familiares e versões das mesmas histórias. Pouco a pouco, mais personagens são encontrados mortos, e as perguntas do início se tornam cada vez mais latentes. Há um sequestrador à solta? Ele se transformara num serial killer? E, diabos, ONDE ESTÁ LÚCIA?

Este é o livro de estreia de C. B. Alves. Pode-se perceber pelo estilo literária uma marcante influência de roteiros hollywoodianos na vida da autora, inclusive nos nomes estrangeiros escolhidos para os personagens. A narrativa é bastante cinematográfica, com uma cadência e descrições típicas das telinhas, com cenas gráficas, principalmente aquelas relativas ao assassinatos. 

É uma história curta e li rápido, em apenas dois dias. Alves tem um estilo dinâmico de contar histórias. Entretanto, gostaria de ter tido tempo para e apegar mais aos personagens, aos seus sentimentos. A sensação que ficou no final é de que foi tudo um pouco corrido. Não posso dizer que o final foi surpreendente, mas certamente foi um livro divertido de ler.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Esaú e Jacó - Machado de Assis

Em "Esaú e Jacó", Machado nos relata as vidas desde o ventre de dois irmãos gêmeos idênticos: Pedro e Paulo. Após uma gravidez conturbada, a recém-mãe dos gêmeos, tomando todas as precauções exigidas por uma dama da sociedade, fora a uma vidente consultar a respeito do futuro dos seus rebentos. Saiu de lá com apenas uma promessa de seriam grandes homens e que "cousas boas eram esperadas". Nota da autora do post: desde que li o livro não consigo mais falar "coisas". Adicionei o "cousas" ao meu vocabulário cotidiano.

A infância e adolescência dos irmãos é retratada em meio à agitada vida social da família, nas mais altas classes da sociedade carioca do Império. Desde sempre, fica claro ao leitor que, apesar de gêmeos idênticos, Pedro e Paulo têm personalidades quase opostas. Um é combativo, outro pacificador. Na fase adulta, um se torna médico, outro advogado. Na política, um é conservador e outro revolucionário.  E na época retratada da história, quando da dissolução do Império e da proclamação da República, esta última distinção não foi apenas causa de rixas entre os irmãos, mas de verdadeiros entraves entre a tradicional família e a sociedade carioca.

Com o passar dos anos, vemos que a similaridade entre os dois passa a não se restringir apenas ao campo físico, pois começam a amar também a mesma mulher. Flora, uma jovem retratada como confusa e dissimulada, não consegue se decidir qual dos irmãos ama mais, pois vê em um tudo o que falta no outro, e vice-versa.

Li alguns comentários de que essa obra de Machado deixou a desejar, pois o enredo é bastante batido. Vejam, nem tem como discutir esse ponto. O próprio título do livro faz referência a uma história bíblica de dois gêmeos que também travam batalhas entre si em busca de amor e aprovação. Mas o que mais me fascina nas obras de Machado de Assis não é o enredo das histórias, é a narrativa. Muitas vezes, o autor usa o narrador como um personagem, tão importante quanto aqueles dos quais as histórias ele relata. Se utilizando da não onisciência do narrador, Machado nunca deixa certeza sobre o que de fato aconteceu ou o que as pessoas sentiram, deixando a cargo do leitor interpretar apenas os sinais e expressões captados pelo narrador. A irreverência das suas obras é gigantesca e envolvente. Sou muito fã do Machado, essa é só mais uma obra que li e amei.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

A Casa - Murillo Pocci

Um homem acorda e não há nada no seu apartamento, nem mesmo seus parcos móveis. Ele está nu, suas roupas estão num canto da casa, e onde está seu gato Júpiter? Veste as roupas e encontra dentro do bolso da calça um bilhete com um endereço. Sai pelas ruas buscando alguma pista do que acontecera. Vai à faculdade, porém não existem mais registros da sua matrícula. Vai às casas de seus pais e amigos, mas todas estão fechadas e abandonadas. Não há mais o que fazer para tentar entender sua nova realidade, a não ser ir para este endereço que está no bilhete e enfrentar o que estiver por vir. Neste endereço tem uma casa.

Essa casa tem uma arquitetura bizarra por fora, parece que não se sustentaria sozinha, e uma ainda mais bizarra por dentro, pois muda a cada vez que você passa por uma porta. É uma casa impossível. E seus familiares e amigos estão todos trancados lá dentro. 

Na sua jornada por dentro da casa, o protagonista vive a cada esquina uma situação mais inóspita que a anterior. Revive pesadelos de infância, encontra seres assustadores e assiste uma ou outra pessoa amada morrendo. Mas nem tudo é ruim. Ele também encontra aliadas, que o dedicam compreensão, carinho e o incentivam a continuar sua jornada pela casa, de forma a vencer os seus medos mais profundos e resgatar suas relações.    

A Casa é uma viagem para dentro de si mesmo e, como não poderia deixar de ser, me fez viajar para dentro de mim. Murillo Pocci tem uma escrita tão realista que em muitos momentos eu me peguei com o coração acelerado, como se estivesse eu mesma vivenciando um pesadelo. O autor utilizou de analogias perfeitas para nos contar um pouco sobre uma fase tão sombria da sua vida, onde teve que lutar contra uma depressão que destruía a si mesmo e aos mais próximos de si. A escrita é delicada e aos poucos vai revelando o que são essas analogias, não sendo um soco na cara (ou gatilho) para aqueles que vivenciaram ou vivenciam depressão. Aliás, quem infelizmente passou por isso consegue identificar com mais clareza as analogias do livro, bem como os sentimentos por trás da trama, as consequências de deixar nossos medos se retroalimentarem e crescerem, as sensações sufocantes das crises de ansiedade e pânico.

Apesar de parecer uma viagem a um passado horrível, A Casa, na verdade, é um livro lindo e encorajador para aqueles que vivenciam depressão. A mensagem otimista ao final mostra que é possível, sim, passar por momentos ruins na vida, mas sair dessa situação, e a sensação é de como se você finalmente tivesse conseguido colocar a cabeça para fora da água, depois de muito tempo quase se afogando.

Sabe, poucos foram os livros que conseguiram me fazer chorar. Esse foi um deles. Eu recomendo com todas as minhas forças.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

A Sangue Quente - Hamilton Almeida Filho

A Sangue Quente é um pequeno livro que conta sobre o assassinato de Vladimir Herzog nas dependências do DOI CODI em SP, declarada suicídio pelas forças armadas. Apesar do tema ser pesado, é uma obra rápida de ler, pois as descrições não são gráficas. Foi publicado em 1978, apenas três anos após o acontecido, ainda à sangue quente, na ditadura. Justamente por isso, ele não é muito claro quanto às evidências de que Vlado não cometeu suicídio, deixa tudo um pouco subentendido, nunca de fato mostrando as evidências do seu assassinato ou apontando culpados. 

Além da visão de do jornalista e colega do Vlado, Hamilton Almeida Filho, a obra mostra reportagens, notas oficiais, impressões dos autores do jornal EX, entrevistas e cartas dos leitores ao jornal, repercutindo o acontecido e os desdobramentos do fato.

Não me envolveu muito, mas retrata um marco histórico e achei que precisava ler.

Alameda do Carvalho - Ninna Vicari

"Alameda do Carvalho" é o romance de estreia de Ninna Vicari. Com ambientação em Londres, acompanhamos o desenrolar do relacionamento de Tom e Lily, pai e filha, com Mia, estudante de direito e babá de Lily em tempo parcial. Mia ama seu trabalho como babá, o que logicamente faz a menina Lily ser apaixonada por Mia. Mia também é apaixonada por Lily e por Tom. E Tom é apaixonado por Mia. Tudo parece certo e bem resolvido. 

Até aí o leitor pode achar que é uma história clichê e morna sobre um pai que se apaixona pela babá da filha e vivem felizes para sempre, mas não é bem assim. Para começar a esposa de Tom, mãe de Lily, morreu. No começo do livro, ainda não sabemos quais as circunstâncias da sua morte, que muito aos poucos vão sendo reveladas ao leitor durante a trama. A família da falecida acha tudo que Tom faz errado e sem sentido. Justamente por isso e sabendo as questões éticas envolvidas nas circunstâncias, Tom reluta em assumir o relacionamento com Mia publicamente, gerando ainda mais atrito no relacionamento. Será que essa relação vai conseguir superar todas as adversidades e prosperar? Até onde uma pessoa deve abrir mão do que realmente sente em prol do que as pessoas acham que é o certo a se fazer?

Esses são alguns dos questionamentos que Ninna Vicari nos traz. Diversos momentos me coloquei no lugar de ambos os personagens. O que será que eu faria se me apaixonasse pelo meu chefe? Como eu reagiria às provocações da sua "sogra"? Como não deixar todo esse drama respingar numa criança que ainda nem assimilou a morte da sua mãe? 

A estreia de Ninna Vicari mostra que ela chegou chegando e tem bastante a mostrar. A autora tem uma escrita muito madura e envolvente. O background dos personagens é extremamente bem construído, as linhas do tempo, os desenvolvimentos das narrativas e as personalidades dos personagens são coesos e sólidos. É nítido o cuidado e o tempo que a autora dispensou nessa obra. A sua capacidade descritiva é na medida certa, dando o suficiente para que montemos na nossa cabeça os personagens e os cenários maravilhosos, mas sem se perder nas descrições. A diagramação, capa, revisão estão impecáveis, o que é bastante impressionante para um trabalho independente. 

Foi uma jornada infelizmente curta, pois eu devorei o livro, e que deixou saudades quando terminou (deixou algumas lágrimas também). Valeu cada minuto. Não vejo a hora de ler mais um trabalho da Ninna!

terça-feira, 30 de julho de 2019

A Cor Humana - Isabor Quintiere

A Cor Humana é o primeiro livro de Isabor, uma deliciosa coletânea de 10 contos, que devorei rapidamente numa viagem de São Paulo a Curitiba que fiz de ônibus. 

No estilo realismo fantástico, a autora nos transporta para mundos iguaizinhos ao que conhecemos, mas com interpretações, personificações e personagens nunca dantes vistos. Isabor narra as histórias de uma maneira linda, delicada e que nos inspira a cada frase. Você acha que está lendo prosa, quando vê, leu uma poesia bela e profunda.

A estreia de um livro só de Isabor deixa claro que a autora tem muito mais a nos dar. A continuidade de trabalhos maravilhosos como este depende do apoio da sociedade que os cercam. Apoie artistas independentes. Cada obra adquirida e cada elogio são fundamentais. Para quem quiser adquirir a obra, pode entrar em contato direto com a autora pelo Instagram @iquintiere. Recomendo muitíssimo.




terça-feira, 4 de setembro de 2018

Deixa Eu Te Contar - Raquel Mariano Linhares


Para cego ver: Um parque num dia claro, céu azul, gramas verdes. um banco de madeira e pés de ferro no primeiro plano a esquerda e árvores ao fundo.Primeira obra da Raquel Linhares, que vocês já conhecem aqui no blog pelas ótimas resenhas de livros e já sabem a qualidade do que escreve. 

Deixa eu te contar me transporta para meados de 2010 onde ainda lia o querido blog dessa amiga e imaginava as situações excepcionais que ocorriam com ela. Foi uma ótima forma de recordar daquela época e só por isso já agradeço. 

domingo, 20 de agosto de 2017

Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

Apesar de ser uma leitora desde que me tenho por gente, a literatura brasileira nunca tinha me apetecido. Diversos foram os clássicos que me foram empurrados goela abaixo pela obrigatoriedade do colégio e diversos foram os títulos que eu havia detestado. Até que conheci Machado de Assis, aos 15 anos de idade, por meio dessa obra maravilhosa chamada Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Outro dia, separando alguns livros para doação, encontrei a mesma edição que tinha lido em 2002, já caindo aos pedaços. Assim como tem aquele ditado que "um homem não entra duas vezes no mesmo rio; pois já não é o mesmo rio e nem o mesmo homem", acredito que essa analogia se aplica a filmes e livros. Um homem não lê o mesmo livro e nem vê o mesmo filme duas vezes. Resolvi relê-lo.

O título do livro é um grande spoiler. Brás Cubas está morto e escrevendo suas memórias. Acha mais conveniente começar sua história pelo fim. Então ele relata sua morte, para só então relatar sua vida.